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João Batista Scalabrini

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Vida  

Bem-Aventurado João Batista Scalabrini (1839-1905)
Bispo de Piacenza, Itália (1976-1905)
Fundador da Congregação Scalabriniana, CS, (Carlistas) - 28/11/1887
Fundador da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos-Scalabrinianas, MSCS, (Carlistas) - 25/10/1895
 
 
Sua Infância

A história de João Batista Scalabrini começou em Fino Mornasco, uma pequena cidade ao norte da Itália. Foi ali que ele nasceu, aos 8 de julho de 1839, numa casa situada em frente à igreja matriz. É o terceiro de oito irmãos. Seus pais, Luís e Colomba, deixaram aos filhos algumas lições importantes de vida como:

1.- Ser pessoas bem educadas,
2.- Praticantes da religião e
3.- Trabalhadores.

Para uma família numerosa, a vida não era nada fácil. Os pais dedicavam-se muito para sustentar os filhos. De fato, três deles tiveram que emigrar rumo à Argentina em busca de uma vida melhor. Desde cedo, a família Scalabrini conheceu o drama da migração e a separação dolorosa de seus membros que partiam para longe.

João Batista era um menino como os outros: ia à igreja, estudava, trabalhava, divertia­se com os amigos. Porém, também se distinguia dos outros. Ele tinha grande capacidade intelectual e estudava muito: era sempre o primeiro da classe! Reunia o grupo de amigos e juntos estudavam o catecismo. João lhes falava de Deus e o assunto preferido entre eles eram os contos da Bíblia.

Convencido de que o maior dever do cristão é amar a Deus e ajudar o próximo, tudo o que João Batista recebia passava adiante. Muitas vezes ficava sem o lanche que a mãe, com carinho lhe preparava, para dá-lo aos pobres ou a colegas mais necessitados. Assim também fazia com as poucas moedinhas que recebia em casa.
 
O Chamado

Desde cedo, João Batista demonstrava a vocação de servir a Deus e aos outros. Jovem alegre e generoso, ficou radiante quando descobriu que Deus o estava chamando para o sacerdócio. Seu grande sonho juvenil era ser um missionário na Índia. Partilhou esta sua descoberta com o padre de sua paróquia que o encaminhou para o seminário e lhe deu todo o apoio necessário.

Assim, aos 18 anos, João Batista entrou para o seminário diocesano na cidade de Como. Aí também, seu comportamento era exemplar. Nos estudos era sempre o mais destacado. Quando algum colega pedia-lhe explicações sobre algum tema muito difícil, João Batista deixava qualquer outra ocupação e o ajudava. Todos o admiravam porque era muito afável e generoso.
 
Sacerdócio

Após completar os estudos de filosofia e teologia, no dia 30 de maio de 1863, com 24 anos de idade, foi ordenado. Pe. João guardava no coração um segredo: ser missionário, partir para a Índia a fim de oferecer a todos a alegria de conhecer e amar a Cristo.

Foi procurar sua mãe e, ajoelhado a seus pés, pediu-lhe sua bênção antes de se inscrever no Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras (PIME). Sua mãe concordou, mas não seu bispo!

Quando expôs ao bispo seus planos, este lhe respondeu: "Eu preciso de você; suas índias são a Itália!".

Pe. João viu seu sonho missionário desmoronar, mas nunca deixou de cultivá-lo no seu coração. Seu bispo nomeou-o professor e, mais tarde, reitor do seminário diocesano de Como. Quando não tinha muitas ocupações no seminário, Pe. João dedicava-se ao povo. Em 1867, em sua região espalhou-se uma epidemia de cólera e ele passou a socorrer e confortar os doentes. Sua dedicação foi tanta que o Governo italiano lhe concedeu uma medalha como reconhecimento.
 
Com 31 anos, Pe. João assumiu a paróquia de São Bartolomeu habitada, em sua maior parte, por operários da indústria têxtil que trabalhavam a seda. Escolheu como meta e prioridade de sua ação pastoral a formação cristã das crianças e dos jovens, o cuidado dos doentes e a evangelização e promoção dos operários.
 
Episcopado Fecundo

Seis anos após, foi escolhido pelo papa Pio IX para ser bispo da diocese de Piacenza e assim, em 1876, foi sagrado bispo, com 36 anos. Como bispo, Dom Scalabrini tinha um objetivo: "não recusarei fadiga alguma, no intuito de chegar a ser pai dos abandonados, mestre dos simples, guia dos sacerdotes e pastor de todos". Chegou a enfrentar horas a cavalo, sob chuva ou neve, para visitar todas as paróquias de sua diocese e isso por cinco vezes.
 
Em 1879, uma longa seca, seguida de um rigoroso inverno, causou muita miséria entre os seus fiéis. Dom Scalabrini fez de sua residência um grande refeitório popular, distribuindo refeições e roupas para os pobres. A fim de ajudá-los, vendeu os cavalos de sua carruagem e o cálice de ouro que havia recebido de presente do Papa Pio IX.

Quando, em 1833, um pavoroso terremoto destruiu o sul da Itália, o bispo não hesitou em doar a cruz peitoral que havia recebido do mesmo papa. Dom Scalabrini, de fato, foi um pai para os pobres e abandonados.

Porém, dedicou-se, sobretudo, ao ensino da catequese: fundou a primeira revista catequética italiana e organizou o primeiro congresso catequético italiano, publicou vários livros sobre a formação cristã da juventude, e ele mesmo, ensinava catequese às crianças. O papa Pio IX definiu-o como “Apóstolo da catequese".
 
O Drama

O problema que mais atingia seu coração era o drama da emigração de milhões de italianos que partiam para a América. Certo dia, passando pela estação ferroviária de Milão e vendo centenas de italianos partirem, Dom Scalabrini tomou uma decisão: Colocaria sua vida a serviço dos migrantes.

Tomou várias iniciativas para ajudá-los:
1. fez várias publicações para conscientizar a sociedade italiana sobre o problema da emigração;
2. procurou sacerdotes que se dispusessem a serem missionários e acompanhar os migrantes;
3. fundou duas organizações para assistirem os migrantes: uma composta de leigos, chamada Sociedade São Rafael (1889), e a outra de sacerdotes, chamada Congregação dos Missionários de São Carlos (1887); com a ajuda de Pe. José Marchetti, fundou a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo (1895);
4. atuou junto às autoridades civis para aprovarem leis que favorecessem os emigrantes.
Pela sua incansável atividade em favor dos migrantes, Dom Scalabrini ficou conhecido como o “Apóstolo dos migrantes".
 
Seu grande anseio era visitar os emigrantes, seus missionários e suas missionárias nas Américas.

- Em 1901, conseguiu visitar os Estados Unidos.
- Em 1904, foi a vez do Brasil.

A impressão que teve de nossa terra, não podia ser melhor: "Trata-se de um lugar maravilhoso!... Dir-se-ia que o paraíso terrestre devia, ou podia, ser esse!...".

Porém, esta viagem ao Brasil apressou o fim de seus dias. Voltou para a diocese de Piacenza muito cansado e doente.

Nos seus últimos dias de vida, repetia constantemente: "Seja feita a vontade de Deus!". As suas últimas palavras ao morrer, em 1° de junho de 1905, foram: "Estou pronto. Senhor! Partamos".

Foi reconhecida pela Igreja sua vida de heróico testemunho de amor e doação. Aos 9 de novembro de 1997, o papa João Paulo II beatificou o bispo de Piacenza que passou a ser invocado como Bem-aventurado João Batista Scalabrini.

Esta é a história de um homem que passou por este mundo e fez a diferença!
 
Seu Legado

Scalabrini foi um homem que marcou época

- incomodou os acomodados,
- interferiu na realidade,
- deu respostas às questões de seu tempo,
- arrastou atrás de si os corajosos...!

Hoje o chamamos de "Bem-aventurado" e, com razão, pois sua santidade de vida se espelha em suas obras. Passou por este mundo, deixou sua marca e muitos o seguiram e outros mais o seguirão.

O Papa Bento XV, em apenas uma frase, definiu-o: "bispo cujo amor não era suficiente uma diocese". Amor tão grande não podia limitar-se a ficar dentro das fronteiras da diocese. O coração de Scalabrini abraçava o mundo. Para ele, o bispo deve "colocar-se de joelhos, por assim dizer, diante do mundo e implorar, como uma graça, a permissão de lhe fazer o bem".
 
A Fundação dos Missionários e Missionárias de São Carlos

O amor de Deus sempre esteve presente no mundo. Deus sempre ama os seus filhos mais necessitados. Em todos os tempos e lugares, Deus está presente no mundo através de seus chamados e enviados. Algumas pessoas que chama e envia são convidadas a servir os pobres, outras os doentes, outras ainda na educação e assim por diante.
 
• Situação: Roubar ou Migrar

A emigração de cidadãos italianos afetou profundamente a Itália a partir de 1870. Este pequeno país europeu viu partir para o exterior, num espaço de cem anos, cerca de 25 milhões de pessoas. Durante os trinta anos em que Scalabrini foi bispo (1876-1905), emigraram mais de oito milhões de italianos. A maioria dirigiu-se rumo à América do Norte e do Sul.

Quem eram esses italianos que partiam?

"Eram anciãos curvados pela idade e pelas fadigas; homens na flor da idade;senhoras que arrastavam os filhinhos atrás de si ou os carregavam ao colo;meninos e meninas...".

Foi assim que o bispo de Piacenza, Dom Scalabrini, descreveu a multidão de italianos prontos para partirem.   A grande maioria deles eram agricultores das montanhas e vales do norte da Itália. Mas havia também pedreiros, artesãos, operários, comerciantes, industriais, profissionais liberais e outros.
 
• O que teria levado este povo a deixar sua pátria e se aventurar por países e lugares desconhecidos?

 A agricultura já não oferecia mais condições de sustento para uma população que crescia rapidamente. Além da fraca produção, pesavam os impostos. Os pequenos proprietários se viam obrigados a emigrar porque não conseguiam pagar as taxas. Os grandes proprietários, por sua vez, despediam empregados para reduzir os custos e geravam assim mais desemprego.

A indústria estava crescendo, mas muito lentamente e, portanto, não oferecia emprego suficiente para a população.

A fome, a pobreza, o desemprego levaram muitos italianos a se aventurarem pelo mundo em busca de melhores condições de vida.

Para muita gente, não havia outra alternativa a não ser roubar ou emigrar.
 
• Como a sociedade italiana reagiu diante da emigração em massa de seus cidadãos?

Não houve grande repercussão a não ser pelas notícias clamorosas de desgraças que atingiam as viagens de navio. Pode-se dizer que a Itália sofreu e ignorou um dos mais graves dramas sociais da sua história.

Tanto na opinião pública como entre os políticos a reação era emotiva e despertava mais sentimento de pena do que ações concretas e solidárias em benefício deles.

A classe política estava muito mais preocupada em consolidar um governo forte e de prestígio internacional do que resolver o problema de seus pobres e emigrantes. Tanto é verdade que, durante quarenta anos, não soube elaborar uma legislação justa e eficaz.

Talvez esse seja o destino dos emigrantes: estão muito longe da pátria para que ela os recorde, e, muito estranhos ao país aonde chegam, para que este se ocupe deles.
 
 • Apelo dos Migrantes e de Scalabrini

Desde pequeno Scalabrini aprendeu a conviver com as diferentes situações que encontrava. As dificuldades da vida lhe ensinaram a enfrentar com coragem todos os apelos.

Os primeiros apelos apareceram com o grave problema que afetava a maior parte dos países europeus de seu tempo. Milhões de emigrantes trabalhadores buscavam melhores condições de vida na América. Sentiu isso na própria família. Três de seus irmãos, Antônio, Pedro e José emigraram para a Argentina. Pouco tempo depois, Antônio retomou à Itália para cuidar dos pais já idosos. Depois outro seu irmão, Pedro também emigrou para a Argentina.

Scalabrini tinha como princípio de vida: “Fazer feliz uma só pessoa é mais importante do que ser feliz”. Por isso qualquer necessidade das pessoas convertia-se em apelo para a ação. Seu coração era generoso.

Desde a primeira carta Pastoral à Diocese de Piacenza, em 30 de Janeiro de 1876, Scalabrini afirmava: "Sinto-me enviado, em primeiro lugar, aos mais pobres e abandonados!".

Em 1895 dizia: "Que maior alegria poderia haver do que ir ao encontro dos pobres, orientar os simples, libertar os oprimidos, enxugar as lágrimas dos aflitos, salvar as almas, fazer, enfim, um pouco de bem?“

Scalabrini interessou-se pelos presos e surdos-mudos. A ação social foi marcante em sua vida, favorecendo associações e obras de previdência e mútuo socorro.
 
Entre as diversas cartas que recebia de seus diocesanos emigrados para as Américas do Sul e do Norte, uma lhe chamou a atenção: “Diga ao nosso Bispo que sempre lembramos de seus conselhos, que reze por nós e que nos mande um sacerdote, porque aqui vivemos e morremos como os animais”. Entretanto, o maior apelo ele próprio nos relata:

“Ha vários anos, assisti em Milão a uma cena que me deixou na alma um sentimento de profunda tristeza. Passando pela estação, vi o salão, os pórticos laterais e a praça vizinha tomados por trezentas ou quatrocentas pessoas mal vestidas, divididas em diversos grupos (...). Eram anciãos curvados pela idade e pelas fadigas; homens na flor da idade; senhoras que arrastavam os filhinhos atrás de si, ou os carregavam ao colo;... todos irmanados por um só pensamento e guiados para uma única meta(...). Eram emigrantes. Pertenciam às várias províncias da Alta Itália, e com trepidação esperavam o trem que os levaria às praias do Mediterrâneo, donde zarpariam para a longínqua América...”

Foram estes apelos que fizeram de Scalabrini apóstolo da catequese e mensageiro da Palavra, pai dos migrantes e desamparados, filho devoto de Maria e da Eucaristia, Pastor da caridade.
 
Diante disso, Scalabrini resolveu fundar a Congregação dos Missionários de São Carlos no dia 28 de novembro de 1887.

Assim se expressou: “De hoje em diante honrar-vos-eis com o nome de Missionários de São Carlos”.

Depois fundou a Sociedade de São Rafael. Um movimento leigo a serviço dos migrantes com este programa de ação: "Colaborar e conservar vivo no coração dos migrantes italianos, junto com a fé, também o amor pela pátria procurando o bem-estar moral, físico, intelectual, econômico e civil dos emigrantes".

No dia 25 de outubro de 1895, Scalabrini fundou a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, que tem como co-fundadores os irmãos Padre José e Madre Assunta Marchetti. Mais tarde vieram as Missionárias Seculares Scalabrinianas.

Enfim, os Leigos Scalabrinianos retomam suas atividades sob outra forma e agora a Juventude Scalabriniana.
 
Scalabrini escolhe como Patrono e Protetor das Congregações Missionárias, São Carlos Borromeo, por ser um santo que viveu profundamente a humildade. Assim, Scalabrini nos entrega o lema Humilitas para que todos os Missionários e Missionárias Carlistas (scalabrinianos), assumindo a preocupação do fundador, busquem construir o Reino de Deus no Mundo dos Migrantes, especialmente entre os mais necessitados e injustiçados.

Os missionários e as missionárias procuram, à luz do Evangelho, levar esperança e ser presença da Igreja junto aos migrantes sem rumo, sem lar e de futuro incerto.

Através de seus missionários e missionárias, a voz profética do Bem-Aventurado Scalabrini chega a todos os continentes.
 
Scalabrini Pai e Apóstolo dos migrantes
 
Quando o bispo João Batista Scalabrini foi beatificado, em 9 de novembro de 1997, o papa João Paulo II afirmou que foi exemplo de pastor, pois seu coração "sensível e aberto" soube testemunhar, de um jeito vivo e profético, o amor de Jesus Cristo pelos migrantes.
 
Segundo o papa, o Bem-aventurado Scalabrini é um autêntico Pai dos migrantes, porque sensibilizou as comunidades para uma acolhida aberta, respeitosa e solidária. O Papa enfatizou também que Scalabrini “batalhou vigorosamente por instrumentos legislativos e institucionais que garantissem a proteção humana e jurídica dos migrantes contra qualquer forma de exploração”.
 
Olhando mais profundamente para o Bem-aventurado Scalabrini, percebemos que é portador de um coração nobre, autêntico e solidário, sobretudo com os migrantes. Por isso, na Estação de Milão contemplou, com ternura e compaixão, aqueles rostos queimados pelo sol, enrugados e abatidos pela vida ingrata que levam. Percebeu a urgência em amenizar a dor dos migrantes italianos que partiam rumo às Américas. Eram homens, mulheres, adultos, idosos, crianças e jovens com seus sentimentos agitados e com almas angustiadas. Todos ligados pela corrente da migração forçada. Essa realidade migratória de sofrimento sensibilizou e moldou o coração do Apóstolo dos migrantes.

Seu coração de pai também foi esculpido pelo amor misericordioso e compassivo do Cristo Peregrino. Dom Scalabrini viveu intensamente uma espiritualidade cristocêntrica e não permaneceu indiferente ao êxodo forçado. Preocupou-se com os migrantes em todas as dimensões e os guiava com segurança, cuidando, sobretudo, para que não perdessem a fé no Deus de Jesus Cristo. Toda sua vida - energia, olhos, mãos, pés, coração, intelecto - estava voltada aos migrantes que, revestidos de dignidade, preferiam migrar a roubar ou morrer de fome.
 
Numa homilia, proferida quando celebrou seu jubileu episcopal de prata, Dom Scalabrini deixou transparecer a profunda e verdadeira comunhão estabelecida com os migrantes:
 
“Asseguro-lhes, porém, filhos bem-amados, que um coração de pai sempre o terão!... posso garantir-lhes que sempre os amei, e que suas alegrias foram sempre as minhas, e seus sofrimentos, os meus”.
  
Espiritualidade Scalabriniana: Cristo Migrante
  
Viver e testemunhar a face do Cristo Peregrino é a principal missão da família carlista-scalabriniana. Nosso ser e agir busca assemelhar-se ao de Cristo vivo em cada migrante e quer ser amado e recebido em nossa casa como hóspede.

Em Mateus 25,35, está o fundamento da nossa espiritualidade carlista-scalabriniana. Jesus mesmo nos ensina o jeito mais humano e digno de cuidar do migrante quando diz: "...eu estava com fome, e me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa".

Essas palavras são um forte apelo e um desafio constante, para acolher todo aquele que chega e acompanhar aquele que parte.

Nossa espiritualidade é a do caminho. Somos desafiados a caminhar lado a lado com Jesus Peregrino, contemplando de forma consciente suas atitudes e gestos de acolhida.

Ele abraça as crianças, perdoa a pecadora, vai em busca da ovelha que se perdeu e diz que precisamos fazer o mesmo que Ele fez.
 
Sem ter um lugar para reclinar a própria cabeça, Jesus Peregrino partia, para evangelizar, fazer o bem, curar, contagiando as pessoas com seu jeito manso, justo e humilde de ser. Parece não cansar de caminhar na poeira das estradas, atravessando vales, rios, mares. Está sempre em movimento. É um Deus itinerante que se compadece com o sofrimento daqueles que andam esquecidos nas encruzilhadas do mundo.

Caminha com os discípulos de Emaús, aproxima-se deles e revela a felicidade completa na partilha do pão. Jesus é o modelo de migrante. Por isso diz com autoridade: todas as vezes que você acolher um estrangeiro em sua casa é a mim que estará acolhendo. Quando não acolhemos, nós ignoramos e rejeitamos o próprio Jesus Cristo, que se faz presente no migrante.

O rosto de Jesus Cristo Peregrino é cativante. Fala de esperança. Ensina que não podemos ficar presos ao provisório. Mostra que nossos pés precisam estar em marcha constante, acolhendo o Deus itinerante que está estampado em cada rosto humano.
 
Jesus Cristo Migrante, razão e fundamento de nossa espiritualidade, ainda pequeno, vive a experiência de migrante. Recém-nascido, é exilado ao Egito, forçado a migrar com seus pais, porque Herodes quer matá-lo. Partem para proteger a vida de Jesus.

Toda sua existência é uma itinerância, tendo em vista a libertação e o resgate da dignidade humana. Jesus caminha muito: atravessa rios, cruza vales, sobe e desce montanhas.

Com Ele caminham seus discípulos, vivendo uma experiência de migração. Também nós, seguindo os passos de Jesus, precisamos nos tomar migrantes em busca de vida digna para os retirantes e refugiados.
 
Oração
 
Pai bondoso, nós te agradecemos pela vida de fé e pela obra
do Bem-aventurado João Batista Scalabrini em favor dos Migrantes.
Jesus Peregrino, dá-nos um coração acolhedor e
faze-nos promotores da fraternidade entre os povos.
Ó Espírito Santo, desperta em nossos corações a vocação missionária.
Senhor, nosso Deus, concede-nos,
por intercessão do Bem-aventuradoJoão Batista Scalabrini,
a graça que confiantes te suplicamos.
Amém.

 

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